FUJA DA CRISE: PLANEJE-SE


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O fim do ano está se aproximando e, com isso, um novo ciclo já se aproxima. A pergunta que norteia este artigo é bem simples e direta: como está o planejamento estratégico da sua empresa para o ano que vem?


Para quem já começou a se planejar, meus parabéns, vocês estão no caminho certo. E para todos aqueles que ainda não começaram o seu planejamento, calma, nem tudo está perdido. Mas, não deixem para começar a se planejar apenas no início do ano, comecem o quanto antes - se possível, hoje mesmo.


Um erro comum na hora de traçar sua estratégia para um novo ciclo é esperar o próximo ano começar ou esperar até que a data de início esteja “próxima” para começar a se movimentar. O segredo de uma boa estratégia está no planejamento e na execução -- dificilmente um funciona bem sem o outro. O planejamento é a base, então nada mais lógico do que começarmos por ele, certo?


O que é um planejamento estratégico?

De acordo com o site significados.com.br, planejamento estratégico é “um conceito comum no âmbito da administração, que significa o ato de pensar e fazer planos de maneira estratégica”. O site também diz que existem três níveis de planejamento e eles funcionam, ou deveriam funcionar, na seguinte ordem: planejamento estratégico, tático e operacional.


E qual a diferença dessas três fases do planejamento?


Bem, o estratégico é a base; nele, são determinados os objetivos dentro de um prazo (curto, médio ou longo prazo). Depois, temos o planejamento tático, no qual a empresa decide como os meios ou recursos disponíveis podem ser utilizados para alcançar um resultado favorável. Ou seja, é a fase do “como fazer”. Por fim, temos o planejamento operacional, cujo nome já diz: é a fase de executar tudo aquilo que foi planejado nos outros níveis.


Só de falarmos sobre o conceito e as diferenças entre cada nível de um planejamento já dá para notar a importância do planejamento estratégico em um negócio. Afinal, como vimos no parágrafo acima, ele é a base do planejamento e sem ele a empresa não tem como atingir nenhum objetivo. Uma organização sem planejamento é uma organização sem objetivos.


Pense em um barco: o planejamento estratégico é o caminho traçado, em que são determinados o ponto de partida e o ponto de chegada. O planejamento tático, ainda nesse exemplo, é como fazer o nosso barco chegar ao destino esperado: envolve escalar a tripulação, separar suprimentos, escolher as melhores rotas, estudar o tempo. Por fim, quando tudo estiver em ordem e dentro do planejado, só falta a parte operacional, que é zarpar e executar tudo aquilo que foi planejado anteriormente. O papel do líder é manter o barco na rota, seguindo o planejamento até o ponto final. Sem o planejamento estratégico o que temos é um barco à deriva.


E qual o problema de deixar a sua empresa à deriva em relação a estratégias?


Para começo de conversa, o seu negócio nunca terá um norte ou objetivos concretos a alcançar. Ficar à deriva no âmbito empresarial significa que a empresa não sabe onde quer chegar, não tem objetivos e metas, e fica satisfeita com qualquer “conquista”. E isso é um perigo. Empresas sem planejamento navegam pelo oceano, perdidas e sem rumo. Quando encontram uma pequena ilha, deserta e sem riqueza, acreditam veementemente que descobriram um novo continente rico e próspero, o que é um grande equívoco. Já quando nós temos um planejamento estratégico em nossa organização, sabemos exatamente aonde queremos chegar, quando chegar e como chegar. Além disso, sabemos precisamente os nossos objetivos e o que devemos conquistar nesse caminho.


O segundo ponto no nosso exemplo do barco é o clima. Neste contexto, o clima pode ser comparado às crises. Vamos voltar para o exemplo do barco: um navio que esteja à deriva, sem saber para onde ir, completamente perdido, às vezes consegue voltar para sua rota ou encontrar uma outra embarcação que possa prestar socorro quando o tempo estiver favorável. Mas, e se esse mesmo barco, completamente perdido, enfrentar tormentas enquanto estiver à deriva? Para responder essa pergunta vamos trazer uma reflexão: dependendo da força de uma determinada tempestade, ela pode afundar até os melhores navios, em suas melhores rotas e com uma equipe competente e dedicada.


Entendeu o recado? Em momentos de crise, como este que estamos vivendo agora decorrente da pandemia do coronavírus, até empresas com um bom planejamento estratégico podem fechar as suas portas. Agora, imagine empresas, como no exemplo do barco, totalmente às cegas, sem nenhum tipo de planejamento enfrentando uma crise? Não existe outro cenário que não seja a falência desses negócios.


Como o planejamento estratégico pode ajudar o seu negócio a estar preparado para momentos de crise?

“Crises são imprevisíveis”, “é impossível prever todas as crises”, “é impossível estar preparado para tudo e qualquer coisa”. Sim, nós concordamos. Em partes.


Sim, crises podem ser imprevisíveis no sentido de termos certeza do que vai acontecer antes, durante ou depois do evento causador do caos. Nós não conseguimos antecipar o que vai acontecer, como vai ser a crise, quais serão suas causas e consequências com precisão. Mas podemos ter certeza de uma coisa: crises sempre vão acontecer em algum momento -- e o intervalo entre elas nem sempre é longo. Essas tempestades não acontecem uma vez a cada 100 anos. Na verdade, momentos de crises e recessões globais acontecem com uma certa frequência.


Nos últimos 150 anos, o mundo passou por 14 recessões, de acordo com esta reportagem da BBC News Brasil. Isso significa que, neste período, enfrentamos 1 recessão a cada 10 anos, aproximadamente. A reportagem traz a relação das crises e seus impactos na economia global. Replicamos abaixo os dados de algumas das maiores crises destas 14 para mostrar de uma maneira mais prática o quão frequentemente a adversidade pode nos desafiar:


  • 1914: Início da Primeira Guerra Mundial - Média da recessão global: 6,7%

  • 1917-1921: Reflexos da Primeira Guerra Mundial - Média da recessão global: 4,4%

  • 1930-1932: Grande Depressão ou Crise de 1929 - Média da recessão global: 17,6%

  • 1945-1946: Reflexos da Segunda Guerra Mundial - Média da recessão global: 15,4%

  • 1979-1982: Reflexos da Crise Energética - Média da recessão global: 1,3%

  • 2009-2010: Crise de 2008 - Média da recessão global: 2,9%

  • 2020-2021: Covid-19 - ESTIMATIVA da recessão global: 6,2%


O ponto é que precisamos fazer o possível para estarmos preparados porque, inevitavelmente, as crises vão acontecer. E nós precisamos nos adaptar para sobrevivermos e prosperarmos. Afinal, um empresário prova toda a sua capacidade de administrar um negócio em momentos adversos. E prosperar durante ou após crises, por meio de planejamento e inovações, é, sim, mérito do líder da organização. Crises são inevitáveis e, voltando à metáfora do barco, é como diz o ditado: “mar calmo nunca fez um bom marinheiro”.


É isso que queríamos passar para você, te mostrar que sempre estamos lutando contra alguma adversidade e que não podemos pensar que não temos como saber ou nos defender dessas crises. Nosso papel como líderes de uma organização é planejar, analisar, estudar, antecipar as tendências do nosso negócio e buscar, ao máximo, a inovação. Se esperamos a mudança chegar para só assim começar a pensar em inovar, ficaremos pelo caminho na primeira crise que aparecer. E, claro, somente com um bom planejamento estratégico é que poderemos estar minimamente preparados para todos os cenários, da calmaria ao caos.


Não negligencie a sua empresa: planeje-se. Use seu planejamento estratégico como um guia para alcançar os seus objetivos e, também, como um escudo em momentos difíceis. Esse é o único jeito de estar minimamente preparado para as crises (que com certeza vão acontecer) e, até mesmo, sobreviver a elas. E aí: como está o planejamento estratégico de 2022 do seu negócio?




MARIA EDUARDA VAZ

Empresária, pós-graduada (bolsista integral por desempenho acadêmico) em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM Rio, formada em jornalismo pela mesma instituição.



RAFAEL SANTORO

Empresário, MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing pela PUCRS, formado em administração pela UNILASALLE-RJ.

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